quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

2 comentários:

fatima lopes disse...

Hmm... bonita imagem!
Este poema é um autêntico elogio á 'PALAVRA', sem a qual (eu) não teria escrito isto, sem a qual não teria sido possivel este lindo poema, e sem a qual não existiria a POESIA!!!
E por vezes, parece que existem 'palavras' que têm tanto valor como os actos e que nos fazem transcender para outros mundos e vidas.

cláudia pinho disse...

Palavras que são o trigo, palavras que se transformam em joio... mas sempre a palavra que faz mover mundo. Move-o para a frente, por vezes uns passos para trás... mas estagnado nunca! Que a palavra é caprichosa e espera sempre a consequencia, ainda que seja a mais subtil... e mesmo o silêncio, ou a folha em branco, é prenúncio de si. Promessa. Sombra.
Mas que sejam sempre PALAVRAS QUE NOS BEIJAM COMO SE TIVESSEM BOCA!