Se ao menos esta dor servisse,
se ela batesse nas paredes,
se ela batesse nas paredes,
abrisse portas,
falasse,
se ela cantasse e despenteasse os cabelos...
Se ao menos esta dor se visse,
se ela saltasse fora da garganta como um grito,
caísse da janela, fizesse barulho
morresse...
Se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força,
depois cuspir a saliva fora,
sujar a rua, os carros, o espaço, o outro...
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre. Tem o direito de não sofrer.
Se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer, doer, doer visível,
doer penalizante,
doer com lágrimas...
Se ao menos esta dor sangrasse!
Renata Pallottini
Renata Pallottini

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