Não o creio ainda
Estás a chegar ao meu lado
E a noite é um punhado
De estrelas e de alegria
Sinto o gosto escuto e vejo
Teu rosto teu passo longo
Tuas mãos e no entanto
Ainda não o creio
Teu regresso tem tanto
Que ver contigo e comigo
Que por cabala o digo
E pelas dúvidas o canto
Ninguém nunca te substitui
E as coisas mais triviais
Se voltam fundamentais
Porque estás a chegar a casa
No entanto ainda
Duvido desta boa sorte
Porque o céu de ter-te
Me parece fantasia
Porém vens e é certo
E vens com o teu olhar
E por isso a tua chegada
Torna mágico o futuro
E embora nem sempre te tenha entendido
Minhas culpas e meus fracassos
Em troca sei que nos teus braços
O mundo faz sentido
E se beijo a ousadia
E o mistério dos teus lábios
Não haverá dúvidas nem retornos
Te quererei mais
Ainda.
Mário Benedetti
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
EM TODA A CASA
pelas paredes ainda cheira à tua pele cutânea.
mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.
sobretudo nada apetece.
sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas - dispersar a espera?
tudo cinzento. Choverá?
aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está
a mais.
em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência
João Habitualmen
te
mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.
sobretudo nada apetece.
sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas - dispersar a espera?
tudo cinzento. Choverá?
aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está
a mais.
em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência
João Habitualmen

Subscrever:
Mensagens (Atom)